Obesidade Infantil – Algumas Considerações

A obesidade é o resultado de uma relação matemática: consumo calórico maior que gasto calórico, independentemente de idade, sexo, raça, classe social ou qualquer outro fator. Mesmo havendo diferença entre a taxa de metabolismo basal de um individuo para outro, valor este que pode ser medido com exatidão através do exame da calorimetria, a caloria ingerida e não queimada, será estocada.

Um grupo que vem se destacando e exige muito cuidado e preocupação, é o das crianças. A obesidade infantil aumentou cinco vezes nos últimos 20 anos no Brasil e já atinge cerca de 10% das crianças brasileiras. A obesidade neste grupo já está causando aumento dos níveis de colesterol e triglicérides, e mesmo levando ao aparecimento de diabetes tipo 2, característico do adulto. Para conter este aumento, a prevenção é essencial. É muito importante promover o acompanhamento alimentar desde a infância, momento em que são formados os hábitos alimentares.

Para isso, a participação dos pais é imprescindível assim como de todos os familiares que convivem com a criança, como tios, avós, primos e irmãos mais velhos. Todos devem agir de acordo com as orientações dos pais.

Ensinar as crianças a comer com qualidade é um dos grandes desafios da educação nutricional. Competir com a grande oferta de alimentos calóricos e pouco nutritivos, exige muita persistência, motivação, dedicação e exemplo dos pais.

O ganho de peso será diferente de uma criança para outra, considerando-se que existem alguns fatores que interferem, como genética, sedentarismo, hábitos alimentares, bem como questões psicológicas que também contribuem para o aumento de peso.

• Fator Genético – algumas crianças estão mais predispostas à obesidade do que outras. A genética é um fator que contribui para um ganho de peso mais fácil. A criança que tem um dos pais obeso, tem 50% de chance de se tornar uma criança obesa. Esse índice muda para 80% quando pai e a mãe são obesos. Neste caso o cuidado com a alimentação deve ser redobrado.

• Sedentarismo - Embora as crianças sejam muito ativas e tenham um gasto calórico alto, alguns hábitos da vida moderna estão diminuindo esse gasto. Atualmente, o lazer da maioria das crianças consiste em jogos eletrônicos e televisão (com controle remoto!) que competem com brincadeiras no quintal ou na quadra do prédio. Estas crianças tem maior probabilidade de se tornarem crianças obesas do que as crianças que brincam ao ar livre ou que praticam algum esporte.

• Hábitos Alimentares - A alimentação atual dá muita ênfase às comidas prontas ou semi-prontas congeladas, aos alimentos industrializados, fast food, bebidas gaseificadas, que atraem a atenção das crianças e ganham cada vez mais espaço na alimentação do dia a dia. Com isso, aumenta-se o consumo de gorduras, sódio e carboidratos. As frutas, verduras e legumes passam a representar uma pequena fração da alimentação diária. Hábitos, como assistir TV durante a alimentação, distraem a atenção para a comida, levando à ingestão excessiva.

 

Seja qual for o motivo ou os motivos, deve-se recorrer a todos os recursos existentes para tentar driblar esse ganho de peso excessivo. A criança obesa pode apresentar vários distúrbios psicológicos, uma vez que se destaca entre as não obesas. O preconceito dos amigos gera ansiedade, o que pode levar a criança a engordar mais ainda por se sentir rejeitada ou alvo de gozações. Até mesmo o rendimento escolar pode ser prejudicado. E a fase da puberdade é ainda mais delicada.

O tratamento da criança obesa consiste em três pontos fundamentais: reeducação alimentar, atividade e exercícios físicos e acompanhamento com equipe de saúde (endocrinologista, nutricionista e em alguns casos, psicóloga)
• Reeducação alimentar – não deve ser feita apenas pela criança da casa, mas pela família. Reestruturar os hábitos da família é fundamental, para que o tratamento tenha sucesso e não haja recidivas. A família deve estar atenta à alimentação em sua própria casa, à alimentação na casa de parentes e amigos e na escola.

• Atividade física – são as atividades do dia a dia, como subir e descer escadas, brincadeiras e jogos sem compromisso, um jogo de futebol ou andar de bicicleta nos finais de semana. Os exercícios físicos são igualmente importantes, pois a prática regular de algum esporte impõe disciplina e cria o hábito, que podem ser mantidos por tempo indeterminado.

• Acompanhamento com equipe de saúde – o endocrinologista acompanha o crescimento e o desenvolvimento da criança, através de exame clínico, laboratorial e de imagens. Nesta fase, os moderadores de apetite devem ser evitados, e apenas utilizados em situações excepcionais.

A nutricionista dará toda orientação necessária à família e à criança, dando sugestões sobre o cardápio em casa e na escola.
Em alguns casos, o acompanhamento de uma psicóloga é importante, dependendo do grau de comprometimento psicológico da criança.

Prof. Dr. Marcello D. Bronstein – Endocrinologista
Christie Willis Spadão - Nutricionista